Como não poderia deixar de ser, fui a mais essa edição da FLIP.
Fiquei pouco tempo na cidade, mas tempo suficiente para ter uma impressão e uma opinião bem particualr dessa edição da festa.
De início, estava interessado em poucas das atrações da festa: queria assistir o Antônio Cândido e o Miguel Nicolelis, mas ambos se apresentaramdurante a semana, quando eu não podia ir… O João Ubaldo iria de bônus, mas até ele não consegui ver – confesso que não senti muita falta. O que me atraiu mais, na verdade, foi a homenagem ao Oswald de Andrade. Essa estava bem legal, com direito a fotos raras dele e do pessoal do Modernismo nacional. Além de umas esculturas bem legais espalhadas pela feira. Muito legal.
Mas como já é tradição na FLIP, a cidade acaba sendo, na verdade, uma das melhores atrações. Dessa vez não foi diferente. Pra ser sincero, achei até melhor do que as anteriores. E muito da graça vinha de algumas ‘casas’ que foram instaladas na ciadade: Casa Sesc, Casa Brasil (do JB), Casa da Folha de São Paulo, Casa do Instituto Morerira Salles. Todas essas ‘casas’ tinham programações muito interessantes e gratuitas: música boa, filmes, palestras, debates, lançamentos de revistas e livros, premiações, exposições. Essas casas tornaram as coisas mais leves, democráticas e acessíveis. Muito bom. Que continuem e que venham mais como essas nas próximas edições da festa.
Outro ponto alto da festa foi a apresentação do grupo Maracatu Palmeira Imperial, seguido do Ciranda Elética e abrilhantados pelos bonecos dos Assombrados. Sensacional! O Palmeira Imperial vez o chão e os espíritos tremerem com seu poderoso maracatu e sua linda dança. Impossível não se mobilizar. Emocionante. Em seguida, o Ciranda elétrica não deixou a peteca cair e esquentou aquela fria noite.
Ainda nessa mesma noite realizei, com minha eterna companheira, Thelma, um sonho antigo das nossas viagens por Paraty: termos nossa caricatura feita pelo artista Renato (acho que esse é o nome brasileiro que ele adotou. Ele é croata!). O cara é bom demais. Seu trabalho será devidamente emoldurado e guardado com carinho. Mais uma lembraça de momentos que só essa cidade sabe me oferecer.
Já no sábado, fui ver com meus amigos vendedores-fazedores de poesia qual era a do movimento e dos livros que eles vendiam. Nessa descobri uma obra que valeu pela feira: ‘Te pego lá fora’, do Rodrigo Ciríaco. Um livro poderoso e necessário desses que não aparecem todo dia. Corram atrás e leiam. Se você é professor, leia pra ontem. Além do Ciríaco ainda troquei idéia e livros com outros escritores da periferia de SP.
Revigorante.
Uma nota negativa foi a traca de direção do restaurante Spaguetto, um dos melhores de Paraty. Infelizmente, não poderemos mais comer aquele peixe ao molho de maracujá, manga e hortelã: uma das coisa mais gostosas que já comi na vida. Faz parte… Em contrapartida, conheci o restaurante Escondidinho, que além da ótima comida tinha uma música ao vivo, só no violão, muito boa (raridade total!!!): uma das melhores versões de ‘O Trenzinho do caipira‘ que já ouvi!
No geral, o de sempre: um enorme prazer em poder fazer parte de tudo aquilo mais uma vez. De estar por lá, ver, ler, dançar, ouvir, comer, andar, respirar e ser novo de novo em Paraty.
Mais uma vez, obrigado Paraty!
Publicado em Ao Vivo, Arts, Letras
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