David Lynch: Em Águas Profundas – Criatividade e Meditação

            O livro Em Águas Profundas – Criatividade e Meditação, do genial diretor de cinema David Lynch (Veludo Azul, Cidade dos Sonhos, Twin Peaks, entre outros), é uma ótima pedida não só para os que se interessam pela obra do cineasta, mas também para todos aqueles interessados no processo criativo, especialmente em se tratando da produção de arte.

            Lynch esteve no Brasil para divulgar o lançamento da versão nacional do livro (Por falar nisso, a tradução de Márcia Falcão deixa a desejar: são notórios erros crassos que poderiam ter sido facilmente evitados. Nada que comprometa o resultado final, mas que incomoda um pouco), assim como a Meditação Transcendental, uma prática adotada e bastante propagada por Lynch: em Belo Horizonte, ele lotou um ginásio com crianças das escolas locais no intuito de incentivar a prática entre os pequenos aqui no Brasil. Ele disse que gostaria de falar com o presidente Lula para discutir a implementação de tal prática em todas as escolas do país. Coisas de David Lynch…

            Tudo bem que, no livro, o tema da Meditação Transcendetal fica um pouco repetitivo demais. Porém se pararmos e pensarmos um pouco, poderemos ver (eu pude, pelo menos) ser tal processo meditativo uma variação daquilo a que muitos outros artistas se referem, ou seja, um tempo para a maturação de idéias, impressões e, por que não, um  aprofundamento do conhecimento das próprias qualidades e limitações – mesmo que seja para supera-las.

Lynch escreve bastante sobre a necessidade da liberdade de pensamento para a criação artística, do tempo e espaço para que essa liberdade possa viger. As “dicas” dadas a futuros diretores de cinema, que podem ser aplicadas a qualquer prática artística, transitam na área da necessidade dessa liberdade.

            No mais, as curiosidades e comentários sobre o próprio processo de criação de algumas de suas obras são outros pontos altos do livro, que contém várias pérolas das mais diversas ordens: engraçadas, geniais, clichês…

            No geral, o saldo é bastante positivo.

            Mais uma vez, David Lynch acertou.

            PS: minha edição do livro foi autografada por Lynch himself (aproveito o espaço para agradecer ao confrade Marcos pela boa ação) e, após ter sido devidamente lida, anotada, encontra-se guardada com bastante cuidado.    

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~ por tarsodoamaral em 21/09/2008.

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