Bons Ares

Ainda pesas ao meu redor.

Lembranças, como ganchos, me soerguem,

Como guinchos, me carregam e,

Como presa, me armadilham.

Não fujo.

Não posso.

Caminho entre as ruas de teu frio.

Caminho preenchendo um vazio.

Num restaurante,

Engulo pedaços do medo de você,

Da sua língua,

Da sua distância.

Vejo-te por dentro,

Corto-te, mastigo,

Passeio por entre e

Não te abandono mais.

Pedaços de tua carne em meus dentes,

Fiapos de tua gente em minha boca,

A ciência do pertencimento:

Sei o sabor de ser, agora, em você também.

Andarei sempre por você com você.

Bons Ares me carregam

Para junto do que há de melhor:

Amar no desconhecido

E voltar pra contar.

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~ por tarsodoamaral em 31/10/2008.

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