Marcelo Camelo – sou/nós

capa-sou

O primeiro disco solo de Marcelo Camelo (sou/nós: uma ambigüidade presente no grande poema de Rodrigo Linares, Sol, a capa do disco), em um primeiro momento, assusta por sua excessiva calma. Em uma segunda ouvida, a coisa começa a melhorar. Na terceira, você já gosta do álbum.

O ponto alto é o violão de Camelo redondamente bem tocado. As composições não chegam a surpreender. O que surpreende mesmo são certos arranjos que ora valorizam as canções, ora as denigrem. No geral, no entanto, o saldo é positivo.

Certos excessos poderiam ser evitados, tais quais certos barulhos desconexos entre canções ou até mesmo nelas, as duas faixas tocadas só no piano também soam superfulas e até meio pedantes. A própria produção a cargo do próprio Camelo que pode soar mal-acabada, é, na verdade, boa. Contudo, mais uma vez, certos arranjos soam fora do lugar.

As faixas seguem uma média de qualidade e algumas participações ajudam a abrilhantar a coisa como um todo: Dominguinhos e sua maravilhosa sanfona poderiam estar melhor em Liberdade, mas convence; Malu Magalhães realça Janta de forma bastante significativa e realmente contribui para a faixa.

Uma coisa que chama atenção é a arte gráfica do cd. Estranha, no mínimo: cavalos no escuro, cavalos no prado, cavalos (?!?); um gato preto; fotos de floresta à noite…estranho…

Outro ponto que chama atenção é a voz de Camelo: baixa, fraca…Sua voz reflete o clima do disco: tudo tem um tom depressivo, solitário, lisérgico…No fim, a voz parece adequada ao que é cantado. Mas fica, definitivamente, uma saudade daquele Camelo mais rock, mais energético.

Mas, como tudo o que já lançou, Camelo preza aqui também pelo experimentalismo. Tudo o que se experimenta, como o verbo já deixa claro, é uma tentativa e, como tal, pressupõe erros e acertos. Camelo, entre erros e acertos, continua a fazer diferente e com qualidade.

Melhor para nós.

Anúncios

~ por tarsodoamaral em 25/11/2008.

2 Respostas to “Marcelo Camelo – sou/nós”

  1. Dali tarso!!

    Camelo, Camelo, Camelo … pra mim o álbum não foi tão decepcionante, eu comprei já esperando algo no nível, me lembrou muito as músicas do compostas pelo Camelo no 4, mas sem a animação da batera e guitarra ao fundo.

    No geral eu entendo que houve uma tentativa de inovação, mas eu acho que muito saiu forçado, coisa que não notava na época do Los Hermanos, só que não era só forçado como eu sempre senti nas músicas do Amarante, mas que mesmo forçado eram boas, eu achei ruim mesmo, não consigo ficar atento a música, escuto, escuto e quando vejo estou atento ao redor mesmo a música. Daí vejo o motivo pela qual o CD e pouco atrativo aos meus ouvidos. Agora de maneira geral eu acho que o disco funciona ao vivo (será?!).

    Vlw camarada,
    Abraço.

  2. Raul, eu tava curioso pra ouvir as faixas. Quando ouvi na internet, fiquei bastante decepcionado. Mas depois que ouvi o cd, passei a gostar mais.
    Não sei se funciona ao vivo. Vou tirar a prova lá no Canecão.
    Já é?
    t+!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: