Watchmen

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Watchmen é um assunto arenoso…Tanto se falarmos da graphic novel, quanto do recente filme feito baseado na HQ.

Na humilde opinião do escriba aqui, Watchmen, a graphic novel, é a melhor história em quadrinhos de todos os tempos. O extraordinário enredo do mestre Alan Moore é, até hoje, imcomparável. A arte de Dave Gibbons só enriquece o trabalho.

Além de ser uma obra virtuosística em se tratando de estrutura de quadrinhos e, por que não, de romances, ainda imbatível, vejo Watchmen como um brilhante libelo contra a hegemonia norte-americana pós-guerra fria. Moore, que escreveu e publicou a história antes do fim de tal “guerra”, previu, com impressionante lucidez, o mal que a vitória de qualquer um dos lados, no caso, a que veio a se concretizar, a americana, poderia significar: um perigosíssimo desencadeador de uma apatia mundial frente a um supostamente “invencível” e “natural” sistema econômico, o capitalismo e sua mais emblemática e recente expressão, o modo de vida norte-americano, o American Way of Life – brilhantemente representado pelos quadrinhos finais de Watchmen.

Um outro brilhante traço característico de Watchmen é a relação entre cultura popular (o formato HQ, música popular, super-heróis…) e alta cultura (a estrutura romanesca da obra, as citações de pensadores, as discussões de altíssimo nível geradas pela, na e a aprtir da obra). Tudo isso magostral e genialmente combinado de tal modo que não só o papel dos super-heróis é questionado, mas a próprio papel das HQs, de seus autores, da arte com ela envolvida e dos limites impostos pelo formato.

Alan Moore leva a HQ a sua maturidade e desafia qualquer um a ela relacionado (autores, desenhistas, leitores, editoras) a questionar tudo o que lhe diz respeito. Exemplarmente groundbreaking em todo e qualquer sentido.

Não é de se imaginar que tal HQ tenha desde seu lançamento sido o foco de diretores de cinema que sonhavam em adaptá-la para a tela grande. Ficou a cargo de Zack Snyder, conhecido por te digirido 300.

Não havia gostado de 300 (hoje, já penso em revê-lo… hehehe), portanto, acho que assim como qualquer fã de Watchmen fiquei com muitas pulgas atrás da orelha quando a notícia de que a adaptação do filme seria finalmente levada a cabo. Mas o resultado final não decepciona.

Snyder ficou conhecido por ter sido extremamente fiel na sua adaptação de 300, o que poderia ser um problema: como adaptar fielmente a algo como Watchmen, com todas as suas camadas sobrepostas?

Mas, enfim, Snyder optou por ater-se à história “principal” e tentar ser o mais fiel possível ao que é-nos apresentado nos quadrinhos originais de Gibbons: foi bem sucedido. Só por isso o filme já vale. Mas, assim como em 300, às vezes, tudo parece um pouco meticuloso demais, frio demais. Mas tá valendo…

Recomendo o filme, mas recomendo muuuuuuuuito mais o quadrinho. Obra-prima inquestionável e essencial.

Alan Moore é altamente recomendado. Se algo tem alguma relação com ele, procure conhecer. Alguma coisa de bom tem aí…

Trailer do filme legendado em português aqui.

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~ por tarsodoamaral em 19/04/2009.

4 Respostas to “Watchmen”

  1. eu preferi o filme, zack adcionou elementos como mais importancia ao comediante na cena ke ele é assassinado há uma dialogo entre ele e o assassino a coisa demroa um poco, na HQ..PÁ!!! morre muito de repente, fora as cenas da abertura que conta muito mais sobre os minute men, nos anos 60, 70…acho que no filme ficamos sabendo mais sobre o passado que na Hq. E sem contar que zack add o mais diverdtido..muito mais violencia eheh 😛

  2. Mike, não acho que no filme ficamos sabendo mais sobre o passado do que na hq. Nela lemos os trechos do “Under the Hood” escrito pelo Coruja original coisas que são só mencionadas no filme e apresentadas por meio das imagens logo no início. Além dos trechos do “Under the Hood” tem ainda textos sobre o projeto que deu origem ao Dr. Manhatan, a hq paralela lida pelo moleque perto da banca de jornal, entre outras coisas que o filme não tem como contemplar devido ao seu formato. Mas, mesmo com tudo isso deixado de fora, o diretor conseguiu fazer um ótimo trabalho. Mesmo alterando o final da história, que é parecido, mas não é o mesmo…
    No geral, tanto o filme, quanto a hq são recomendados, mas a hq, pra mim, ainda é imbatível. Primeiro, por ser o original e segundo, por levar o formato hq ao extremo de suas possibilidades de um modo não só muito produtivo, como absurdamente bem sucedido.
    T+!

  3. HQ fenomenal!!!! Cada página lida é um soco na boca do estômago de seu cérebro, revista obrigatória para quem deseja refletir sobre verdades ditas como absolutas, mas que se questionadas ou vistas de outro ângulo, deixam quaisquer um com a perna bamba.

    FILME mal compreendido, mal comercializado pela publicidade, merecia mais créditos, faltou acreditarem no projeto. Infelizmente.

    Valeu tarsoooooooo,
    raulpereira.

  4. Raul, concordo com você. Só que ainda acho que o filme teve a atenção devida. Não dá pra esperar que um filme como aquele tenha a mesma aceitação de um Homem-Aranha ou Batman, mesmo por que a proposta é exatemente criticar personagens como esses. Eu, pra ser sincero, achei uma coisa surreal o ivestimento e a divulgação feitos no filme. Agora que você tá lendo a HQ talvez concorde.
    No mais, é ponto pacífico, pelo menos de minha parte, que “Watchmen”, a graphic novel, é uma obra-prima inquestionável e insuperável até hoje.
    Vida longa a Alan Moore.
    t+!

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