Caetano Veloso – Zii e Zie

zii

O último disco de estúdio de Caetano Veloso não causou muito impacto – muito mais causou sua queda em um dos shows de divulgação do novo trabalho, do que as músicas em si. De toda a forma, o disco tem bastante coisa boa e relevante.

Na minha opinião, a ordem das faixas do álbum poderia ser invertida, isto é, começar o álbum por sua última faixa, seguida da penúltima e assim por diante. Por quê? Por serem as três melhores faixas exatamente as três últimas: “Ingenuidade”, “Lapa” e “Diferentemente”.

A primeira das tês, “Ingenuidade”, é um samba da melhor estirpe composto por Serafim Adriano, falecido membro da ala de compositores da Mocidade Independente de Padre Miguel. A letra tem bem a ver com essa fase “velha” do atual Caetano.

“Lapa”, por sua vez, é uma ode ao bairro carioca e à movimentação cultural que lá se pode encontrar. Um letra muito boa, muito bem sacada e que consegue mesmo dar uma boa idéia do que é a Lapa. Bem legal.

Já “Diferentemente” termina muito bem o disco em um clima até animado, mas com letra existencialista com referências a Madonna, Bin Laden e Condoleezza Rice. Caetano, na letra de música, deixa mais claro que realmente não acredita mesmo em deus.

Escrevi que o álbum termina “em um clima até animado” por que, no geral, o álbum é soturno, como a capa deixa bem claro. As músicas como um todo não são de tão facil assimilação, os arranjos seguem a mesma linha. Mas isso não implica em dizer que o álbum é fraco ou algo que o valha. Além das três faixas já mencionadas, “A base de Guatanamo” e “Perdeu” são outros destaques. A versão de “Incompatibilidade de gênios” de João Bosco e Aldir Blanc não chega a surpreender.

Mais uma vez, como no disco anterior “Cê”, a banda Cê tem grande proeminência no nos arranjos como um todo e, entre os três membros que a compõem, Pedro Sá, novamente, se destaca e recebe efetivamente mais atenção.

No geral, um bom álbum. Mas inferior, por vários motivos (as músicas em si, os arranjos, e a própria acessibilidade das faixas) ao seu antecessor, o grande “Cê”.

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~ por tarsodoamaral em 12/06/2009.

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