Arnaldo Antunes – Paradeiro

6530Não me lembro ao certo quando foi que comecei a me interessar pela produção de Arnaldo Antunes. O que lembro é que desde meus tempos de segundo grau tenho um cd seu, “O silêncio”, do qual gosto muito até hoje. Tenho também um livro seu com escritos diversos do qual gosto bastante também. Já assisti a um show seu e gostei bastante. Gosto e sou bastante influenciado por sua produção poética. Desde meus 15, 16 anos acompanho sua carreira com atenção e sempre compro seus discos. Mas, como já escrevi, não consigo lembrar como, nem quando comecei a gostar de Arnaldo Antunes. E, não sei se isso é realmente relevante para alguém.

Enfim, recentemente, comprei o único disco lançado por Arnaldo Antunes de 1995 para cá que, por diversos motivos, eu ainda não tinha: “Paradeiro”. “Paradeiro” foi lançado em 2001, mas ainda mantém um frescor até os dias de hoje e soa melhor do que coisas lançadas pelo próprio Arnaldo Antunes depois de 2001.

As cinco primeiras músicas do álbum são efetivamente as melhores. De “Atenção” a “Na Massa” tudo soa muito bem. As diversas parceiras, seja nas autorias, seja na execução das faixas parecem contribuir bastante para a qualidade dessas faixas: A poeta Alice Ruiz aparece na composição de duas da melhores faixas do álbum, a já mencionada “Atenção” e a linda “”Se Tudo Pode Acontecer”; outr presença relevante e constante na obra de Antunes é a de Carlinhos Brown e Marisa Monte, parcerias tão intensas que culminariam no projeto “Tribalistas“. Em “Paradeiro”, Marisa canta e participa da composição da faixa título, assim com Brown, que além disso, produz – e muito bem – todo o álbum juntamente com Alê Siqueira e faz a percussão e arranjos em várias faixas.

No entanto, depois da quinta faixa, o disco realmente perde a força e cai no comum, mesmo com os arranjos fantásticos de Brown. Nem mesmo a inusitada versão de “Exagerado”, consagrada na voz de Cazuza, ajuda o disco a voltar ao brilhantsmo de seu começo.

Essa é uma característica, aliás, bastante comum nos discos de Arnaldo Antunes, i.e. a variação entre faixas ótimas e outras de medianas para fracas. A  junção do genial trabalho com a palavra que Arnaldo faz com o formato pop nem sempre é bom. Mas quando é, é muito bom. “Paradeiro” tem muitos desses momentos bons, bem mais do que “Um Som”, o disco mais divulgado da carreira do compositor e também um dos mais fracos. Mas é exatamente em “Um Som” que se encontra a faixa “Socorro”, genial e uma das melhores da carreira de Antunes.

No geral, ainda acho que o disco de minha adolescência, “O Silêncio”, é o melhor de Arnaldo Antunes. Nele, a junção entre poesia e música pop se dá de modo mais natural e bem sucedido do que em qualquer outro trabalho seu. As cinco primeiras faixas de “Paradeiro” também se encontram nesse posto e só por isso, o disco já vale uma conferida.

Recomendado.

Como habitual nos discos de Antunes

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~ por tarsodoamaral em 02/09/2009.

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