Green Day – 21st Century Breakdown

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Não é de hoje que o Green Day é uma das mais interessantes bandas de rock do cenário mainstream. Desde que estouraram, em 1994, com “Dookie“, um ótimo disco, diga-se de passagem, até esse último “21st Century Breakdown“, a banda mantém uma impressionante qualidade em seus álbuns. Contudo, se o lançamento anterior, o grande “American Idiot“, pode ser considerado como uma dos pontos mais altos da carreira da banda, não se pode dizer o mesmo desse novo trabalho do trio norte-americano.

Apesar de o formato ser o mesmo do disco anerior, uma espécie de ópera-rock, o modelo não convence tanto quanto deveria. Se “American Idiot” acerta em quase em sua totalidade, “21st Century Breakdown” tem pontos positivos quase que na mesma medida que o disco anterior os tem negativos. O formato refinado, complexo das canções parece não se achar e ser forçadamente muito mais complicado e trabalhado do que o necessário/esperado. Isso gera uma série de canções com ótimas melodias, riffs e idéias combinados e/ou perdidos entre uma miríade de outros nem tão interessantes assim e, na verdade, cansativos riffs, melodias e idéias. A insistência nas melodias “bonitas” baseadas em pianos, teclados e violinos fica exagerada e cansa.

Outro ponto que fica muito evidente é a relação com a “influência”/”presença” de elementos característicos de outras bandas no som do Green Day. A influência de The Clash sempre foi óbvia, mas em “American Idiot”, devido ao formato ópera rock, ecos de bandas como The Who e Queen poderiam ser percebidos aqui e alí. Ecos. Nesse novo álbum o ouvinte pode notar claras referências a The Beatles (“Last Night on Earth”), Marilyn Manson (“East Jesus Nowhere”), The Hives (“Horseshoes and Handgranades”) e os mesmos The Who, The Clash e Queen estão espalhados pelo álbum em solos, melodias e timbres. Mas de um modo evidente demais, if you know what I mean, especialmente nos casos dos Beatles, Hives e Marilyn Mason .

O que não quer dizer que o disco não tenha aspectos positivos. Muito pelo contrário. A sequência de faixas que vai de “Peacemaker”, a nona faixa, até “?Viva La Gloria? (Little Girl)”, a décima segunda, é excepcional e traz a banda na melhor de sua forma. Muito do que se ouve aí lembra os melhores momentos do grande álbum “Warning“, álbum no qual a banda coeçou a mudança de direcionamento musical que culminou com “American Idiot” e, consquentemente, com esse “21st Century Breakdown”.

Além desse trecho, outros tantos são igualmente bons. Um exemplo é a melodia inicial e final de “After Lobotomy”: uma das melhores da carreira da banda. Pena que o restante da faixa não é tão bom quanto seu começo e fim. Mas, acredito tal consequência seja decorrente do próprio formato ópera-rock do álbum. O que causa um pouco de peocupação é saber até onde/quando a banda pretende seguir, levar esse formato que já mostra nítidos sinais de desgaste.

No geral um bom álbum, mas definitivamente cansativo e abaixo da média de ótimos lançamentos dessa que é uma das mais relevantes bandas de rock da atualidade.

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~ por tarsodoamaral em 27/09/2009.

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