Flip 2010

Ess post é sobre como eu vi a Flip desse ano. O que se lerá aqui é uma visão parcial de parte da festa, a parte que pude ver. No entanto, vale a pena ressaltar que o que não vi foi também por opção e não por falta de oportunidade, o que, de alguma maneira, já diz bastante.

O seguinte site http://ultimosegundo.ig.com.br/flip/festa+literaria+de+paraty+foi+salva+pela+programacao+do+sabado/n1237743124699.html destaca como maior destaque da Flip desse ano o crítico literário Terry Eagleton. Não poderia concordar mais.

Há anos que leio textos de Eagleton e há anos que tenho plena ciência de sua excepcional capacidade de tratar dos temas mais váriados, muito deles de dificílima abordagem, de modo lúcido, claro, divertido e extremamente instrutivo. Assim que soube de sua participação na Flip desse ano, também soube que iria ao evento.  Não me decepcionei. Sua mesa, originalmente de temática religiosa, daí potencialmente problemática, foi um deleite para o intelecto: lúcida, clara, divertida e extremamente instrutiva.  Ponto para a todos.

Outra atração que muito me chamou a atenção foi a mesa com Salman Rushdie, brilhante escritor britânico de origem indiana também listado pelo mesmo site como um dos cinco maiores destaques da Festa desse ano. Rushdie é autor de um dos melhores romances escritos em língua inglesa pelo menos  nos últimos 50 anos: “Midnight’s Children” (Crianças da Meia Noite, em português). Apesar de não ter sido algo brilhante, sua mesa foi muito interessante e não decepcionou aqueles que, como eu, fizeram questão de assisti-la.

Os outros três destaques listados pelo site foram: Ferreira Gullar – apesar da presença constante de Gullar em vários eventos literários das mais variadas sortes, é sempre um privilégio ouvir suas palavras, em especial em se tratando de seu inédito livro de poemas. Não compareci à sua mesa esse ano, mas não tenho a menor dúvida de que foi uma das melhores do evento; Isabel Allende – com uma autora desse calibre, difícil seria ser ruim; A. B. Yehoshua e Azar Nafisi – não assisti e não conheço os autores, portanto não posso comentar.

Outro destaque não mencionado pelo site foi a autora cubana Wendy Guerra, muito falada na festa e fora dela. Infelizmente não assisti à sua palestra e não conheço sua obra. Mas a segunda parte da frase pode ser mudada facilmente.

Robert Crumb, supostamente a maior atração da festa (sinceramente, até agora não entendi por que), parece, decepcionou. Mas, na minha cabeça, Robert Crumb e o público que normalmente assiste as palestras da Flip não combinam em nada. Quem já foi à Festa sabe do que estou falando. Enfim… I might be wrong. E, por favor, nada contra Robert Crumb, um genial gradinista cujos méritos não discuto aqui por achá-los demasiados evidentes. Mas a atenção a ele dada em detrimento de tantos e tantos outros talentos igualmente, se não ainda mais, geniais do que Crumb foi algo desnecessário, desproporcional e sem razão de ser. Algo que o próprio Crumb sacou e fez questão de deixar bem claro.

Em geral, apesar dos comentários que venho lendo até mesmo antes de a festa começar, não posso reclamar da festa. Tive o real privilégio de ouvir, ter meus livros autografados por e apertar a mão de duas excepcionais figuras do universo ao qual estou envolvido há uma década, pelo menos: literatura e em especial a em língua inglesa. O saldo, para mim, foi muito positivo.

Agora, se as pessoas realmente esperam que um recluso quadrinista da contra cultura seja capaz de levar um evento nitidamente mercadológico como a Flip nas costas, já não posso concordar. A Flip de Crumb (como alguns dos maiores jornais do país estavam chamando essa edição da festa literária), para mim foi tudo, menos a Flip de Crumb.

Abaixo uma foto minha como Terry Eagleton, aquele que nomeia em minha memória a Flip de 2010: A Flip na qual conversei, apertei a mão e tive meus livros autografados por Terry Eagleton.

Valew, Paraty por mais essa!

Até a próxima.

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~ por tarsodoamaral em 09/08/2010.

4 Respostas to “Flip 2010”

  1. Muito bom ler este post, é perceptível como a leitura é um mar pra você camarada, uma leitura motivante para quem não é um leitor quase compulsivo.

  2. Raul, bom saber que você gostou do post e que, de alguma forma, ele é motivante. Agradeço também pelo “quase compulsivo”. heheheh
    t+!

  3. Viu que o terry eagleton deu uma entrevista no programa milênio? http://globonews.globo.com/platb/milenio/2010/11/03/video-extra-terry-eagleton-e-mais-hitchens-e-dawkins/
    vai passar agora dia 08/11

  4. Vi sim, Crispim.
    Essa entrevista é, na verdade, parte do que rolou lá na Flip.
    Tava lá! heheh
    bem legal.
    Você viu?
    Um abraço!
    T+!
    Ps: valew aí pelo link.

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