Émile Zola – Naná

A imagem desse post é a capa de uma versão em português do romance “Naná”, do grande escritor francês Émile Zola.

Imagem

Vários pontos a comentar, començando pela própria capa dessa edição, cuja autoria me é desconhecida, uma vez que o volume não tem nenhuma informação acerca da arte. Me agrada a capa pela imagem em si, pela sorte do contraste entre o dourado e o preto, mas também pela representação forte, mas ambígua da protagonista da obra. Em relação a outras capas que tive a chance de ver e que trazem uma figura, geralmente uma pintura, com uma mulher nitidamente representada, essa edição nacional me parece muito mais feliz em optar por essa figura vaga. Os ares de Klimt contribuem e muito para essa impressão positiva.

Saindo da capa, outro ponto digno de nota é a tradução creditada a Roberto Valeriano. O texto em português, que poderia correr o sério risco de se tornar demasiado pomposo e/ou de penosa leitura, é elegante e, ao mesmo tempo, acessível. Ponto para a edição nacional.

O romance em si, considerado um exemplar emblemático do Naturalismo (francês), é uma daquelas obras sensacionais que, sejamos francos, só o século xix pôde produzir. Zola, que se debatia com as possibilidades de ser a literatura uma fiel escudeira da ciência e, assim, consequentemente, apontava novos caminhos e possibilidades para o gênero, não só cria um retrato magistral e bastante peculiar da França do Segundo Império Francês, como critica severamente essa sociedade. Naná, uma personagem que passa de quase indigente a prostituta de luxo, e suas relaçõesservem de alegoria para a visão de Zola em relação ao Império no qual vivia.

Não cabe aqui discutir os preceitos morais claramente defendidos por Zola, mas, até sendo bastante moralista e preconceituoso, o romancista é capaz de criar literatura de altíssima voltagem.

É inegável que algumas passagens descritivas são, para os padrões atuais, demasiado longas. O que não quer dizer que sejam ruins e/ou dispensáveis. Pelo contrário, ajudam a estabelecer todo o clima da obra.

Sem ficar gastando muito latim, fica aqui a recomendação de leitura de uma grande obra literária, obra essa parte de um projeto de muito maior amplitude: Les Rougon-Macquart, uma série de 20 romances (?!?) acerca de uma família ficcional vivendo no Segundo Império Francês.

No mais, um pequeno trecho de “Naná”:

“Nas casas dos bêbedos dos arrabaldes, é pela miséria negra, o lar sem pão, a loucura do álcool que acabam as famílias arruinadas. Ali, na decorradas daquelas riquezas, amontoadas e refulgindo à luz, a valsa tocava dobre finados de uma estirpe antiga, enquanto Naná, invisível, suspensa por cima daquele baile com seus membros leves, decompunha aquele mundo, penetrava-o do fermento do seu cheiro, que flutuava no ar quente, ao ritmo zombeteiro da música”.

 

 

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~ por tarsodoamaral em 15/02/2013.

2 Respostas to “Émile Zola – Naná”

  1. Falando assim, quero até ler!!!! Não sei se começo por esse, mas já virou um projeto!!! Valeu doc!!!

  2. vale a pena.

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