Suketu Mehta – Bombaim: cidade máxima

A primeira vez em que travei contato com Suketu Mehta foi em Paraty, na Flip de 2012. Lá, ele participou de uma mesa com Roberto DaMatta. O diálogo estabelecido entre os dois foi muito interessante e a comunicação de Mehta foi surpreendentemente envolvente. Mehta, indiano de nascença, mas quase um turista em seu país de origem, devido ao tempo que viveu no exterior, tratou basicamente das semelhanças e diferenças que via entre Brasil e Índia. Além disso, entre um comentário e outro, mencionava, fazia referências a e lia trechos do livro cuja edição nacional vinha divulgar aqui no Brasil, Bombaim – cidade máxima. Mehta terminou sua participação com a leitura de um trecho belíssimo da obra que divulgava.

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Tive, ainda, uma segunda chance de ouvir e ver Mehta tratar dos mesmos temas em uma outra oportunidade: a Flupp, que aconteceu aqui no Rio, dias após o término da Festa Literária de Paraty. Dessa vez consegui assistir, no Morro do Cantagalo, à comunicação feita por Mehta, assim como ao diálogo que ele estabeleceu com Luís Eduardo Soares, com quem dividia a mesa. Além disso, quando da abertura para participações da plateia, consegui fazer uma pergunta ao autor indiano, além de falar com ele pessoalmente sobre as duas comunicações suas as quais consegui assistir, além do interesse em mim despertado em ler a obra que ele aqui divulgava.

Tal obra, como vim a descobrir depois, se tratava, na verdade, de um ambicioso e impressionante relato que Mehta faz da Índia que ele encontra no início dos anos 2000, após passar mais de duas décadas morando nos EUA.  Esse relato, com forte cunho autobiográfico, é o que basicamente preenche as quase 600 páginas de Bombaim – cidade máxima.

Muito além da já tradicional (e, por que não, clichê) abordagem economicista em relação a essa nação integrante dos chamados BRICs, Mehta constrói uma narrativa que é, ao mesmo tempo, estarrecedora e alentadora. Estarrece por tratar, muitas vezes, de assuntos como violência e pobreza extrema de modo bastante, digamos, naturalista. Alenta, por dosar tais passagens com inspiradas reflexões acerca da condição humana em uma megalópole como Mumbai (ou Bombaim).

Não cabe aqui tentar, em poucas palavras, resumir e/ou transmitir o vastíssimo conteúdo do livro, mas, fica a recomendação desse livro fascinante em muitos aspectos. Digna de nota certamente é a muito bem cuidada edição nacional e a tradução de Berilo Vargas. Um ou outro problema de revisão não passam nem perto de comprometer a qualidade do produto final.

O que posso afirmar é que, quando comecei a ler o livro, uma cópia assinada pelo próprio autor e com uma dedicatória a uma das pessoas que mais amo no mundo, logo nas primeiras páginas, tive dificuldade de continuar, tamanha e tão intensa era a tempestade de ideias que me vinham à mente a cada parágrafo lido. Tal impressão me fez mudar meu projeto de pesquisa no curso de doutorado e começar uma nova empreitada na qual associo a obra de Mehta com a de James Joyce.

Sem mais delongas,  Bombaim – cidade máxima  é altamente recomendado por motivos que se tornam evidentes a cada página.

Leia.

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~ por tarsodoamaral em 27/02/2013.

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