MAR (Museu de Arte do Rio) + Casa Daros + Caixa Cultural: breve relato de 1 dia e meio por alguns museus e centros culturais do Rio

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Atualmente, algumas excelentes exposições estão disponíveis para quem mora aqui no Rio de Janeiro. Além dos já tradicionais, novos e ótimos museus e centros culturais estão sendo abertos na cidade. Com algumas horas livres, boas companhias e disposição para caminhar, passei um dia e meio explorando um pouco disso tudo. Abaixo segue uma breve descrição de parte do que rolou nessa empreitada.

Começo escrevendo sobre a primeira ida ao MAR – Museu de Arte do Rio, recentemente inaugurado.

Confesso que, com toda a propaganda maciça feita sobre o MAR, estava com um pé atrás acerca da qualidade das exposições que lá estariam. Qual não foi minha surpresa. As quatro exposições atualmente montadadas no MAR são excelentes.

Começamos com “Rio de Imagens“: uma grande e muito informativa exposição cujo foco é a cidade do Rio de Janeiro. Um deleite para quem curte a cidade e sua história. De representações pictóricas a cartazes de empresas de turismo, passando por obras de gente como Tarsila do Amaral, Oswaldo Goeldi, Di Cavalcanti e Lasar Segall, além de representações contemporâneas, tem muita coisa interessante pra se ver.

Em seguida, a exposição “O Colecionador – Arte Brasileira e Internacional na Coleção Boghici” composta pelo Impressionante acervo do colecionador Jean Boghici, cuja coleção sofreu perdas importantes em um recente incêndio amplamente noticiado. Ainda assim, o que consta na exposição no MAR é de tirar o fôlego.

A exposição está dividida em duas salas. Na Sala 01, obras de Debret, Modigliani, Rodin, Cícero Dias, Kandinsky, Tunga, Lygia Clark, Amilcar de Castro, além de muitos, muitos outros, como a já citada Tarsila do Amaral. Na sala 02, pintura chinesa, pintura russa e o que se denominou de ‘nova figuração’.

A disposição incomum das obras nessa exposição, pelo que pude ouvir por lá, não agradaou a todos os que por ali passavam. Pessoalmente, gostei bastante.

“O Colecionador” é, com certeza, um dos pontos altos de uma visita ao MAR, nos dias de hoje.

O terceiro grupo de obras é o chamado “Vontade Construtiva“. Uma muito bem-vinda coleção de obras de cunho (neo-)concretista/construtivista feitas por artistas que ajudaram a definir a cara da vanguarda nacional do século passado. Há tempos, sinto falta de uma exposição como essa aqui no Rio. Infelizmente, não é uma exposição permanente. Por diversos motivos, inclusive até mesmo para fins de estudo, é sempre bom ter disponíveis coleção como essa: um vasto conjunto de obras de artistas como Ivan Ferreira Serpa, Lygia Pape, Antônio Maluf, Volpi, Lygia Clark, entre tantos outros. Muito bom.

Finalmente, o quarto conjunto é a coleção “O Abrigo e o Terreno“. Uma série de obras e instalações mais contemporâneas cuja temática gira em torno da violenta realidade em megalópoles como o Rio. Da moradia à agressão estatal, é bastante amplo do espectro das referências à atualidade. Bem legal também.

O saldo é altamente positivo. Vale muito uma visita a esse novo espaço. Se o chamado ‘Porto Maravilha‘ for por esses trilhos, a cidade ganhará bastante.

Do MAR para mais um novo espaço cultural da cidade, a Casa Daros.

Tive a sorte e o privilégio de fazer parte do primeiro grupo de visitantes, quando da abertura da casa para a visitação pública. Na verdade, meu ticket de ingresso para a exposição “Cantos Cuentos Colombianos” é o de número 00001! Não sei bem o que isso tem ou possa vir a ter de positivo, mas…

O espaço da casa é realmente muito bom e, sem dúvida, a cidade ganhou muito com mais esse centro.

Com relação a “Cantos Cuentos Colombianos“, pode-se dizer que a Casa Daros começou com o pé direito. A exposição de arte contemporânea colombiana é muito forte. Apesar de algumas obras trazerem um suposto tom mais descontraído, como os cacho de banana de José Alejandro Restrepo e as esculturas de Nadín Ospina, que se valem de personagens relacionados ao imaginário infantil, o tom da exposição me pareceu bastante violento. Em sua maioria absoluta as obras lidam com temas relacionados, de uma forma ou de outra, à violência. Seja a violência estatal que mata perseguidos políticos ou remove pessoas de suas terras natais, seja a violência da dominição cultural que transforma antigos deuses em personagens de desenhos animados. De toda a forma, a exposição cuja primeira obra é um caixão com as cores da bandeira colombiana, é composta por rostos de desaparecidos políticos que surgem em espelhos ou somem em ralos, apolos mutilados, insetos, ossos como matéria prima e cantos sofridos de quem sobreviveu.

Para quem se interessar não só em conhecer o espaço, mas também em se aventurar nesse instigante pesadelo sul-americano, vale a visita.

Da Casa Daros para o Caixa Cultural.

Nesse já tradicional espaço cultural do Rio estavam algumas outras exposições. Começando pela instalção “Lágrimas de São Pedro“, de Vinícius S. A.. A foto que ilustra esse post foi tirada em meio à instalação que, sem maiores detalhes, é uma surpresa para o olhar. Vale bastante conferir.

Das ‘Lágrimas de São Pedro’, para as fantásticas xilogravuras do grande Lasar Segall. A exposição “Lasar Segall – percursos no papel” une algumas das coisas que mais gosto em artes visuais: modernismo e xilografia. Mas, além das fantásticas xilogravuras de Segall, a exposição e composta por outras expressões como desenhos, gravuras e aquarelas. Sensacional. Ficou faltando só o catálogo da exposição que, segundo me foi informado, só a partir do dia 06/04. Um bom motivo para voltar.

Finalmente, ainda no Caixa Cultural, a exposição “Adriano de Aquino lê Ivan Serpa“, parte do projeto “Olhar de Artista”, na qual um artista faz a curadoria da exposição de um outro. O título dessa é bem auto-explicativo. Mais uma muito bem-vinda e abrangente exposição de arte de cunho construtivista aqui no Rio. Saldo positivo.

Ficou faltando a exposição “Polaridades“, atualmente no MAM aqui do Rio. Mas, como depois da Caixa Cultural, ainda rolou uma segunda visita ao MAR, os pés já não aguentavam mais…

Vale a pena ressaltar, também, que, nos dois dias, o almoço foi no Brasserie Brasil Restaurante & Café, no CCBB aqui do Rio. Com preços acessíveis e comida bastante boa, é um bom lugar para regarregar as energias para continuar.

Para finalizar, agradeço às companhias desses passeios.

É sempre muito bom. Que venham outros!

E que esse post possa incentivar mais pessoas a encher as salas desses centros culturais e museus daqui e de todos os lugares.

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~ por tarsodoamaral em 24/03/2013.

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